CineTribAL - Mostra de curtas-metragens


Venha curtir um cineminha!
Exibição de 7 fimes de curta-metragem, entre nacionais e estrangeiros: animação, documentário, ficção e experimental.
DIA: sábado, 27 de outubro de 2007
HORÁRIO: 20:33h
LOCAL: Convento N. Sr.ª dos Anjos - Museu de Arte Religiosa e Tradicional
Largo de Santo Antônio, Centro, Cabo Frio-RJ.
Gratuito.

Ciclo de Leitura: FERREIRA GULLAR


A TribAL convida a todos para o 18º CICLO DE LEITURA, desta vez sobre a obra de FERREIRA GULLAR. Este evento tem por objetivo desvendar quem é esta pessoa, trazer a literatura, a composição musical e a dramaturgia brasileira para perto do seu público, criar o hábito da leitura, assim como proteger e exercitar o que há de melhor em nossa cultura. Como funciona o Ciclo de Leitura? Traga algum texto (poema, conto, poesia, crônica, curiosidades, composição, etc.) sobre o autor indicado. Se preferir, venha apenas para ouvir e "viajar".

DIA: sexta-feira, 19 de outubro de 2007.
HORÁRIO: 20:33h
LOCAL: Espaço Sorriso Feliz - Teatro de Marionetes, Rua Jorge Lossio, esquina com Francisco Mendes (próximo ao Corpo dos Bombeiros), Centro, Cabo Frio - RJ.
Gratuito.

O QUE JÁ ROLOU: Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana (100 anos), Paulo Leminski, Nelson Rodrigues, Érico Veríssimo (100 anos), Rachel de Queiroz, Fernando Sabino, Vinícius de Moraes, Plínio Marcos, Cecília Meireles, Arnaldo Antunes, Maria Clara Machado.






O "PLANO T - EXPERIMENTAL JÁ!" é um encontro multicultural. Traga uma poesia, uma música, uma dança, uma pintura, um esquete, uma performance, ou algo que encante fazendo parte desta noite. Este evento é um exercício da arte para todos! Traga seu plano, experimente!

DIA: Sábado, 20 de outubro de 2007
HORÁRIO: 20:33h
LOCAL: Espaço Sorriso Feliz - Teatro de Marionetes, Rua Jorge Lossio, esquina com Francisco Mendes (atrás do Corpo de Bombeiros), Centro de Cabo Frio.
Gratuito.

Ciclo de Leitura - MARIA CLARA MACHADO


A TribAL convida a todos para o CICLO DE LEITURA, desta vez sobre a obra de MARIA CLARA MACHADO. O Ciclo de Leitura tem por objetivo desvendar quem foi esta pessoa, trazer a literatura, a composição musical e a dramaturgia brasileira para perto do seu público, criar o hábito da leitura, assim como proteger e exercitar o que há de melhor em nossa cultura. Como funciona o Ciclo de Leitura? Traga algum texto (poema, conto, poesia, crônica, curiosidades, composição, etc.) sobre o autor indicado. Se preferir, venha apenas para ouvir e "viajar".

DIA: sexta-feira, 21 de setembro de 2007.
HORÁRIO: 20:33h
LOCAL: Espaço Sorriso Feliz - Teatro de Marionetes,
Rua Jorge Lossio, esquina com Francisco Mendes (próximo ao Corpo de Bombeiros), Centro, Cabo Frio - RJ.
Gratuito.

O QUE JÁ ROLOU: Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Ariano Suassuna, Carlos Drummond de Andrade, Mário Quintana - 100 anos-, Paulo Leminski, Nelson Rodrigues, Érico Veríssimo - 100 anos-, Rachel de Queiroz, Fernando Sabino, Vinícius de Moraes, Plínio Marcos, Cecília Meireles, Arnaldo Antunes.

II Maratona Fotográfica, de 24 à 31 de agosto, na Casa de Cultura José de Dome - Charitas.


Arte e fotografia vão se espalhar por Cabo Frio e fazer da cidade cenário da cultura. De 24 a 31 de agosto, a II Maratona Fotográfica de Cabo Frio trará exposições de grandes nomes da fotografia nacional e novos artistas, além de oficinas, debates e filmes para mostrar as diferentes formas desta arte. A Casa de Cultura José de Domme - Charitas - terá a exposição do fotógrafo e diretor de fotografia de cinema Walter Carvalho e do fotógrafo Márcio RM e mostrará novas faces da Região dos Lagos, captadas pelas lentes de 10 novos artistas.
Iniciada no ano passado, a Maratona Fotográfica de Cabo Frio apresentou o encontro da cidade com a fotografia. O evento rendeu frutos, e os trabalhos da primeira edição foram selecionados para o FotoRio 2007, o encontro internacional de fotografia do Rio de Janeiro. Em sua segunda edição, a Maratona Fotográfica quer confirmar o pioneirismo e exibir o que Cabo Frio tem em abundância: a areia. Escaldante como a juventude ou fina como talco, esteja nas dunas ou fugindo para dentro das casas, a areia será o tema a ser captados pelos olhares de 10 fotógrafos locais. A seleção de imagens será feita pela curadora e fotógrafa Joana Mazza.
As exposições ficarão ao longo do mês de agosto e setembro na Casa de Cultura José de Dome – Charitas, Centro, Cabo Frio - RJ.

Inscrições para OFICINAS de 19 a 23/08
Charitas - Av. Assunção, Centro, Cabo Frio.

PROGRAMAÇÃO:

24/08 - SEXTA
19h - Abertura das Exposições:
"O sertão é todo Espera" - Walter Carvalho
"Cruzeiros" - Márcio RM
"Areia" - Coletiva
- CineTribAL - Mostra de curtas-metragens

25/08 - SÁBADO
9h - Oficina I - Introdução à Fotografia
13h - Oficina II - Pin Hole
16h - Curtas:
"Quem vai chorar quando eu morrer?"
"Judith"
"Quem?"
17h - Vídeo Arte: "Interferência"
19h - Palestra com Márcio RM

26/08 - DOMINGO
9h - Oficina III - Fotografia em Estúdio
13h - Oficina IV - Fotografia no Cinema
16h - Passeio Fotográfico
17h - Documentário: "Pescadores de Aran"
19h - Palestra com Walter Carvalho

27 a 30/08 - SEGUNDA A QUINTA
18h - Visitas Guiadas - Exposições no Charitas

31/08 - SEXTA
Palestra com Luiz Gonzaga de Carvalho e Silva
"História da Fotografia"

1 e 2/09 - SÁBADO E DOMINGO
18h - Projeções Fotográficas no Convento

REALIZAÇÃO:
LadoB Produções
TribAL - Associação Cultural Tributo à Arte e à Liberdade


INFORMAÇÕES:
maratona.fotografica.cf@gmail.com
Alexandra Arakawa (22) 92149662
Manuela Costa (21) 93548758

Conto: "Cachinhos aos Ventos"


Por Paulo César de Souza*
Uma tranqüila atitude fazia a manutenção dos riscos adquiridos na trajetória das inocências. No entanto, o coração bateu num ritmo sensual quando ele apreendeu algo, em si, na aparente virilidade. O que fazia ter tantas certezas? Porque, de repente, um extremo desconforto, ereto, cruzou a linha sincrônica de sua corrente sangüínea?
No começo, tratavam-se com cordialidade e admiração. Uma admiração passiva, maquiada por cores intelectuais e beleza física: um deles se vestia como um garoto, falava como um menino e agia como um rapaz. Mas havia um hospedeiro: um homem camuflado naquela aparente adolescência, que escondia nas armaduras medievais crianças sintomáticas, eternas, que faziam emergir a delícia de uma pedofilia. Era um personagem rasgado de um conto de novelas, uma cena escrita para ser vista e vivida; para ele mesmo, sem o ser. Foi então que veio a grande revelação: ele podia ser... sem ser. Na sua respiração, conclui atônito – se é que concluir fosse passível de alguma conclusão – que ele não podia mais olhar para ele de forma simples e descomprometida. Pois o comprometimento canibal era um emaranhado de teias carnívoras que degustavam, deliciosamente, a salada de criancinhas.
Estar envolvido em tal historia é como assistir “Janela Indiscreta” de Hitchcock. Devo atravessar a grande ponte? Olhou através do binóculo e percebe que o rapaz se posicionava nu do outro lado da ponte. Completamente nu! Maravilhosamente nu! Provocação? Não. Sua nudez era rígida como as armaduras e quente como a esperança; e mesmo apesar do distanciamento era possível sentir as batidas do seu coração e ver os arrepios na sua pele branca de neném. Num momento rápido pensou que... ficar ali parado era pecado; olhando através de um binóculo era indiscreto. E aí, então, tomou uma decisão súbita e espontânea de atravessar a ponte. Avançou alguns passos à frente e a ponte rangeu perigosa e felina. Uma pantera. Parou apavorado desligando as lunetas dos seus olhos, sentindo os pelos do asfalto periclitantes sobre os seus pés. Mas um beijo refrescante veio rápido com o vento, apaziguando todo aquele momento feliz e efêmero. Deu mais alguns passos, e furiosa a ponte tremeu, balançando seu corpo frágil, tentando derrubá-lo de sua própria segurança. Um gruído propagou-se com o vento e sobre aquele tremor, segurou uma das mãos num ferro grosso e com a outra elevou o binóculo no olho do sul e viu, contrariando toda aquela concupiscência, cachinhos balançando ao vento, incógnitos. Se perguntasse para si mesmo se deveria atravessar toda aquela ponte; já não fazia nenhum sentido desde que começara a pressentir. O amor havia lhe flagrado numa situação exposta, contundente em fraturas que se propagavam nas estruturas. Quando percebeu, já havia avançado quase a metade do trajeto e em meio a águas revoltas lembrou-se de uma canção.
Foi fácil tirar da armadura o menino para logo em seguida – como numa cirurgia cesariana – dar a luz a um rapaz. Tenebroso era o homem que poderia evoluir, ríspido como uma árvore, de dentro da carcaça de ferro. Pois a batalha era inevitável, fosse ela qual fosse. E em masturbações plenas, um exército de homem passava a guarda na sua frente; mas era sempre a imagem dele que prevalecia na ora do gozo. Aquela compulsividade serena já era o prelúdio de uma deliciosa doença que se instalara nas entranhas da sua imaginação e dos seus sonhos. Estava pronto para guerrilhar e avançar um pouco mais a comprometida ponte. A doença lhe conferia surtos de felicidade e receios momentâneos; aumentando os números de punhetas em qualquer domicílio ou local público, pois sabia que logo em seguida, na ora do gozo, era o seu semblante encaracolado que vinha visitá-lo após a troca da guarda. Passou a busca neste distúrbio anacrônico a presença terna do seu olhar, pernas, coxas, músculos, e a quentura de suas cavernas sanguíneas na ponta dos seus lábios; uma deliciosa prática de tê-lo mais próximo de mim. Poucos poemas, sarados, foram capazes de lhe trazer àquela circunstância em meio a uma ponte preste a ruir, e um rapaz helênico resgatou o poder catastrófico suplantado na sua longa espera: vulcões explodiam, terremotos devastadores, ciclones e ventos feito brisa. Quanto mais ele avançava mais comprometia a estrutura da ponte e a imagem na lente do binóculo aumentava em proporções bem dotadas, deixando-o totalmente embriagado e sem consciência do que estava acontecendo: a separação dos continentes. Uma gaivota, planando no seu ouvido, gritou aborrecida chamando-lhe a atenção. Ele parou obediente e parou também o divisor das águas. O olho nu olhou para o nu que sorria feliz do outro lado da ilha já bem próximo do alcance, e, por alguns instantes, eternos talvez, o mundo todo parou de girar de baixo dos seus próprios pés, de frente dos seus olhos. E uma calmaria invadiu todo o fluxo contínuo de uma transmutação possível de existir que não fosse aquela: a vigente. Parado, já um quarto percorrido, saboreando a brisa na ponte quase destruída, foi de tudo um prazer admirável e tranqüilizador. O menino próximo ali na sua frente, pequeno e oblíquo, lhe pareceu sem sentido, agora, para avançar um pouco mais na fúria de seus desejos. Mergulhou, então, no frenesi daquela liberdade e bem antes que ele pensasse em dar mais alguns passos... sabia agora que qualquer movimento avante estaria comprometendo com toda a estrutura de um planeta inteiro. Era melhor deixar agora esse processo evolutivo de irresponsabilidade a cabo da lei da gravidade, movendo com cautela os continentes sobre a fração segura dos segundos e minutos presente. Afinal de contas, Ele havia se mostrado inteiro para Ele espelho. Nu, completamente...

*Professor de Literatura, escritor, cineasta e pesquisador do Ciclo de Leitura. pcdesouza9@yahoo.com.br (22) 8137-7402