"Fragmentos de Tamba ki" de Adriano Chagas

Fragmentos de Tamba ki

Cabo Frio é uma cidade escolhida pelos deuses. Aqui a beleza nos ladeia. Temos um mar de águas claras que ao leste nos banha; as dunas, com sua formação de areia que por séculos insistem em “correr” pela praia mudando seu desenho; a mata que sempre foi berçário de espécies endêmicas; e é claro o sambaquieiro, esse elemento extraordinário que viveu nessas paragens desde sempre e que, talvez, só as árvores saibam de sua história! Mas há um fato “novo”!
Sambaqui, palavra originária do tupi Tamba ki que significa “montanha de conchas” ou concheiros. Essas estruturas que podiam atingir vários metros de altura, como de diâmetro, a exemplo do sítio arqueológico de Figueirinha – I, em Jaguaruna (SC), que tem aproximadamente 15 metros de altura¹, levando-se em conta a área a qual esses povos se fixavam, era o local onde esses mesmos faziam suas refeições e tinham com os seus. Ali passavam grande parte de seu tempo, abrindo conchas e moluscos para se alimentar. Além das conchas, depositavam outros materiais utilizados para fins alimentares ou não, tais como: cerâmicas; pedras lapidadas, para que servissem de objeto cortante; ossos que poderiam ser usados como adornos e madeiras utilizadas para fogueiras. Essas formações originaram-se do acúmulo de sedimentos que com o passar do tempo e erosão misturaram-se as conchas e utensílios, que, juntos, ficaram armazenados no solo, depositados pelo revezamento natural dos povos dessa região, criando assim uma riqueza de informações num mesmo local, que é, historicamente falando, algo incrível. A julgar que em todo o litoral brasileiro é possível encontrar sambaquis, é bem provável que esses tenham mantido contato e algum tipo de comércio, o qual por si só aumenta sua importância.
As informações expressadas acima são fundamentais para entender a importância que representa um sambaqui e o peso e complexidade cultural a qual vem associada a ele. Um local onde a história de um povo pode ser vislumbrada e compreendida na amplitude, embora restrita, de seu cotidiano. E Cabo Frio mais uma vez nos presenteia com algo desse tipo. É isso mesmo, mais um sítio arqueológico foi descoberto em Cabo Frio, precisamente na Aldeia do Portinho, trata-se de um Sambaqui, onde foi encontrada uma ossada de fêmea, batizada de Boop. Porém o sítio arqueológico está situado em uma área de construção, onde brevemente levantarão um Shopping Center. A impressão que se tem é que todo o suposto desenvolvimento deve ser feito a custa de “sacrifícios”, assim como os Vândalos, tribo germânica oriental, que destruíam os locais onde conquistavam com o discurso de se construir algo “mais” belo e melhor, apagando assim qualquer indício de cultura anteriormente. Afinal quando se quer destruir um povo, primeiro apaga-se a sua história. E nesse quadro surgem algumas dúvidas! Seriam nossos governantes pouco ou quase nada entendidos de cultura a ponto de jogar concreto em cima dessa história? Nós, sociedade civil organizada, estudantes, acadêmicos, arquitetos, engenheiros, autoridades, arqueólogos e IPHAN podemos juntos lutar pela preservação desse patrimônio que é de todos?

Pausa para reflexão.

Adriano Chagas
Estudante do 3º período de história
Universidade Veiga de Almeida


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¹ www.itaucultural.org.br/arqueologia

Tribal Sobre Rodas da Animação


TRIBAL SOBRE RODAS DA ANIMAÇÃO
A Associação Cultural Tributo à Arte e à Liberdade (TRIBAL) com os seus sete anos ininterruptos de intensas atividades artísticas que lhe conferiu ser um Ponto de Cultura  e o Cine Mais Cultura patrocinados pela Secretaria de Cultura do Estado e o Ministério da Cultura realiza o seu evento mais importante, que é levar artes para as comunidades mais afastadas da Região dos Lagos.
A ocupação artística destes lugares é feita com a parceria da Prefeitura das cidades onde se iniciará pelo lançamento do ponto de cultura Tribal Sobre Rodas da Animação – um palco sobre rodas que se desdobra em vários ambientes cênicos, equipado com infra estrutura técnica – com a possibilidade de percorrer as principais praças de Cabo Frio, São Pedro, Arraial do Cabo e Búzios. Em seguida a ação se estenderá aos bairros populares apontados pelas parcerias. A ação se completa em cada localidade também com oficinas de formas animadas que serão ministradas aos interessados
Os lançamentos do ponto de cultura Tribal Sobre Rodas da Animação se darão a partir do dia 2 de setembro de 2011 com a seguinte programação que se segue.

APRESENTAÇÕES DE LANÇAMENTO
Cabo Frio (Praça de São Cristovão) 02/09/2011 (sexta) a partir das 16h.
São Pedro da Aldeia (Praça da Matriz) 10/09/2011(sábado) a partir das 15h.
Búzios (Praça Santos Dumont)  16/09/2011 (sexta) a partir das 15h
Arraial do Cabo (Praça do Guarany) 23/09/2011 (sexta) a partir das 15h

PROGRAMAÇÃO
Contos pra te Atar
(Histórias contadas com formas animadas com a atriz Tânia Arrabal)
Quem Canta e Conta, Encanta
(Show de variedades com marionetes de fio com o Sorriso Feliz do mestre Clarêncio Rodrigues)
Conto do Gesto
(História contada pelo mímico Jiddu Saldanha)
Cine Galerinha
(Mostra de dez curtas de animação com curadoria de Flávio Pettinichi)
Concerto Popular
(Número musical com o violonista Fernando Chagas e o percussionista Vantuir)
Roda de danças populares
(Roda que tem o objetivo de congregar o público e os artistas através do bumba meu boi, o cacuriá, o jongo e a ciranda coletiva)
As declamações poéticas intercalam as apresentações e a artes plásticas vivenciais ocorrerão durante o evento.